Energia Prática

Tarifários de Luz & Gás

A fatura da eletricidade em Portugal tem duas componentes que se comportam de maneira muito diferente: o termo de potência, que paga todos os dias independentemente do que consumir, e o termo de energia, que depende dos kWh e da hora a que os gasta. Reduzir a fatura passa quase sempre por atacar as duas de forma separada.

Nesta secção comparamos comercializadores, explicamos a diferença entre mercado regulado e liberalizado, e mostramos quando é que o bi-horário compensa mesmo — que é bastante menos vezes do que a publicidade sugere.

Limiar do bi-horário
~37%do consumo em vazio, na tarifa regulada de 2026
Diferença vazio vs fora de vazio
~45%na energia ativa da tarifa regulada de 2026
Mudança de tarifário
Gratuitae sem troca de contador na maioria dos casos

Potência contratada: o custo que paga mesmo sem consumir

O termo fixo de potência é cobrado por dia, esteja em casa ou não. Muitas habitações portuguesas têm potência contratada acima do que precisam, herdada de um contrato antigo ou de um dimensionamento por defeito na instalação.

Descer um escalão pode representar uma poupança anual relevante e não implica qualquer obra. O teste é simples: se o quadro nunca dispara mesmo com vários eletrodomésticos ligados em simultâneo, provavelmente tem margem para baixar.

Simples, bi-horário ou tri-horário

O tarifário simples cobra o mesmo preço a qualquer hora. O bi-horário divide o dia em vazio e fora de vazio, com o kWh noturno mais barato — mas o kWh diurno mais caro do que no simples. É por isso que existe um limiar: na tarifa regulada de 2026, abaixo de cerca de 37% de consumo em vazio, o bi-horário fica mais caro.

O tri-horário acrescenta um período de ponta ainda mais caro e raramente compensa em habitação. Faz sentido sobretudo em pequenos negócios com consumo concentrado fora das horas de ponta.

Mercado regulado e mercado liberalizado

No mercado regulado, os preços são fixados pela ERSE. No liberalizado, cada comercializador define as suas condições, o que significa promoções, descontos cruzados e fidelizações. Nem sempre o mais barato à primeira vista é o mais barato ao fim de um ano.

  • Compare o preço por kWh, não o desconto anunciado em percentagem.
  • Verifique se o desconto tem prazo e o que acontece quando terminar.
  • Confirme se há fidelização e qual a penalização por rescisão.
  • Some sempre o termo de potência: é onde as ofertas mais divergem.

Um método de comparação que evita descontos ilusórios

Comece pelas últimas doze faturas e some o consumo anual. Se tiver opção bi-horária, separe vazio e fora de vazio. Depois aplique exatamente o mesmo perfil a todas as propostas. Comparar uma simulação de 250 kWh por mês com uma oferta calculada sobre o seu consumo real produz conclusões incompatíveis.

Converta cada parcela em euros anuais: preço por kWh multiplicado pelo consumo, termo de potência diário multiplicado por 365, mensalidades e serviços. Um desconto de 20% pode incidir apenas sobre a energia e durar seis meses; não equivale a retirar 20% à fatura total durante um ano.

No mercado regulado, a ERSE publica uma referência transparente. Em 2026, para clientes residenciais BTN acima de 2,3 kVA e até 20,7 kVA, a energia ativa antes de impostos é 0,1654 €/kWh no simples, 0,1988 €/kWh fora de vazio e 0,1087 €/kWh no vazio. No mercado livre, os comercializadores definem energia, potência, descontos e serviços; a tarifa de acesso às redes continua a ser regulada.

Refaça a comparação quando termina uma campanha ou recebe uma alteração contratual. Guarde a ficha normalizada da oferta e defina um lembrete antes do fim do desconto. A melhor proposta no dia da contratação pode deixar de o ser alguns meses depois.

Se tem painéis solares, compare também o preço de compra e o contrato de venda do excedente de forma separada. O comercializador que paga melhor pela injeção pode não ter a eletricidade mais barata, e os dois contratos não precisam necessariamente de ficar na mesma empresa.

  • Use consumo anual e potência reais da sua fatura.
  • Conte apenas benefícios que vai efetivamente utilizar.
  • Verifique fidelização, serviços e preço após a promoção.
  • Compare novamente pelo menos uma vez por ano.

Ferramenta gratuita

Simulador de Tarifários

Compare o custo anual do tarifário simples com o bi-horário a partir do seu consumo real e da percentagem que consegue passar para o período de vazio.

Guias sobre Tarifários

Análises e notícias sobre tarifários em Portugal, atualizadas à medida que a legislação e o mercado mudam.

Perguntas frequentes sobre Tarifários

As dúvidas que mais nos chegam sobre este tema.

Mudar de comercializador implica ficar sem luz?

Não. A mudança é feita entre comercializadores através do operador de rede e não há qualquer interrupção do fornecimento nem intervenção física na instalação.

Quanto tempo demora a mudança de tarifário?

A alteração de tarifário dentro do mesmo comercializador costuma ser aplicada no ciclo de faturação seguinte. A mudança de comercializador demora tipicamente entre duas e três semanas.

Vale a pena baixar a potência contratada?

Se o disjuntor nunca dispara com o uso normal da casa, quase sempre sim. O termo de potência é cobrado diariamente e descer um escalão não tem custo de obra.

O que é a tarifa social de energia?

É um desconto automático na fatura para agregados em situação de vulnerabilidade económica. Na maioria dos casos é atribuído automaticamente por cruzamento de dados fiscais, sem necessidade de candidatura.

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